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Conhecimento & Construção

Arquitetura Gentil

“PRECISAMOS ENXERGAR OS ESPAÇOS URBANOS COMO LUGARES PARA A PERMANÊNCIA E O PERTENCIMENTO”

 

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, a pesquisadora Claudia Mendonça Cintra buscou compreender o conceito de “Arquitetura Hostil”

 

Para o seu estudo, a arquiteta observou o bairro da Saúde, localizado na região centro-sul da cidade de São Paulo. Moradora da região, Claudia mapeou os quarteirões no entorno de sua casa para observar a presença de elementos hostis na arquitetura da vizinhança. Segundo a sua própria definição, tratam-se de “elementos arquitetônicos que prejudicam a permanência e a circulação de pessoas”.

 

“Eu observei a relação das pessoas – pedestres e moradores de rua, principalmente – com os espaços urbanos e notei que alguns elementos impossibilitam a permanência e a circulação destas pessoas. Estes elementos podem ser propositalmente projetados para este fim, como grades e muros, ou podem simplesmente ser ocasionados pela falta de um planejamento mais atento, como a ausência de bancos, vegetação e sombreamento, ou a presença de calçadas e escadas irregulares”, explica a arquiteta.

 

Para Claudia, é fundamental que os projetos arquitetônicos – públicos ou privados – sejam pensados a partir de uma lógica mais inclusiva e socialmente responsável. “É claro que não podemos retirar do Poder Público a sua responsabilidade pelo desenvolvimento urbano mais ordenado”, explica a pesquisadora, “mas é importante que existam empresas preocupadas em oferecer empreendimentos que promovam o bem-estar não somente para seus futuros proprietários”.

 

Na capital, está em vigor desde 2014 o Plano Diretor Estratégico do Município, lei municipal que orientará o desenvolvimento e o crescimento urbano da cidade até 2030. O PDE intenciona direcionar ações dos produtores do espaço urbano, públicos ou privados, para que haja um desenvolvimento da cidade de forma mais equilibrada e inclusiva, sendo socialmente e ambientalmente responsável.

 

“A circulação e a permanência de pessoas, ao contrário do que geralmente pode pensar o senso comum, promovem segurança e bem-estar”, conclui Claudia. Para a arquiteta “a ideia de se viver em cidade é justamente interagir com muitas pessoas e ter contato com pessoas e ideias diferentes, quando nós nos fechamos perdemos muito da qualidade de vida e da riqueza de se viver em um grande centro urbano”.

 

Em Guarulhos, a arquitetura gentil do Cube³ Office

 

Vizinho da capital paulista, sendo um dos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo, Guarulhos é uma cidade em constante desenvolvimento. O principal reflexo de sua relevância econômica e localização estratégica é a intensa circulação de pessoas e de veículos pelas ruas e avenidas guarulhenses.

 

A consequência, claro, é o destaque do mercado imobiliário de Guarulhos como um dos mais prósperos do país. No entanto, a cidade ainda enfrenta um desafio: a carência de projetos imobiliários que entreguem para a cidade algo além de dormitórios e quadras poliesportivas.

 

E este tem sido o desafio assumido pela Vegus desde a sua fundação. Atuando há mais de 20 anos no mercado imobiliário de Guarulhos, a Vegus busca a evolução contínua de seus projetos, implementando soluções inovadoras a cada obra concluída. Como exemplo, um de seus últimos lançamentos: o empreendimento comercial Cube³ Office. Da identidade arquitetônica da fachada à distribuição das áreas comuns, cada detalhe deste projeto foi pensado para que o condomínio se torne um marco de desenvolvimento urbano para a região em que foi instalado – o centro de Guarulhos.

 

O térreo do empreendimento foi projetado de forma que houvesse uma integração entre o edifício e a vizinhança. Lojas, cafés, um auditório e um amplo espaço verde foram executados em espaço aberto a fim de que pedestres pudessem utilizar as áreas do empreendimento como área de convivência.

 

Além da fonte com uma escultura do empreendimento, e um trabalhado mosaico nas fachadas sul e norte do prédio, bancos de concreto compõem a periferia do condomínio, servindo de pontos de descanso para transeuntes.

 

“É muito importante, para uma arquitetura menos hostil, que exista áreas de descanso e permanência”, explica Claudia. “Com isso, pedestres podem repousar e se preparar para retomar suas caminhadas, com mais ânimo e podendo percorrer até maiores distâncias”. Estrutura importante também para o acolhimento de idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que encontram no empreendimento um espaço para o descanso e permanência.

 

Em 2020, teremos uma série de posts sobre Arquitetura e Engenharia com profissionais e pesquisadores da área discutindo inovações no mercado da construção civil. Este é o primeiro post da série. Fiquem atentos para mais conteúdo em nossas redes sociais.

 

Redação e edição: Guilherme Assen

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